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21 de agosto de 2026

health journal

Ruptura do Tendão Distal do Bíceps: quando a cirurgia é indicada e o que a ciência mostra sobre a técnica mais moderna

Vinicius Aragão - Ortopedista Especialista em Cirurgia de Ombro e Cotovelo MEO Medicina

Por:

A ruptura do tendão distal do bíceps é uma lesão relativamente rara, porém com grande impacto funcional. Ela ocorre principalmente em homens ativos entre 40 e 60 anos, geralmente durante um esforço súbito, como levantar uma carga pesada ou segurar um objeto que escapa das mãos. O mecanismo mais comum envolve uma contração intensa do bíceps enquanto o cotovelo está flexionado e o antebraço gira para fora (supinação).

Uma lesão incomum, mas que pode comprometer a força do braço.

Os sintomas costumam ser marcantes: dor intensa na parte anterior do cotovelo, estalido no momento da lesão, inchaço, hematoma e perda de força, principalmente para girar o antebraço e dobrar o cotovelo. Sem tratamento cirúrgico, pacientes ativos podem apresentar perda de até 40% da força de supinação e cerca de 30% da força de flexão, comprometendo atividades do dia a dia, trabalho e prática esportiva.


Qual é o melhor tratamento?

Para pacientes ativos, a cirurgia é considerada o tratamento de escolha. O objetivo é reinserir o tendão rompido em sua posição anatômica, permitindo recuperação da força e da função do membro.


Nos últimos anos, uma técnica tem recebido destaque na literatura científica: a reinserção do tendão utilizando um botão unicortical por via anterior única. Em nossa revisão sistemática, publicada em 2025, analisamos 36 estudos que avaliaram essa técnica sob os aspectos biomecânicos e clínicos. Os resultados demonstram que ela oferece excelente estabilidade da fixação, alta resistência mecânica e baixos índices de complicações.


Vantagens da técnica com botão unicortical


Entre os principais benefícios observados estão:


Maior segurança

A abordagem por uma única incisão anterior reduz o risco de lesão do nervo interósseo posterior, uma das complicações mais temidas da cirurgia, além de diminuir a ocorrência de ossificação heterotópica quando comparada a algumas técnicas tradicionais.


Fixação resistente

Os estudos biomecânicos demonstram elevada resistência às forças aplicadas logo após a cirurgia, permitindo uma fixação confiável durante o processo de cicatrização e favorecendo protocolos de reabilitação mais seguros.


Excelentes resultados funcionais

A maioria dos pacientes recupera praticamente toda a amplitude de movimento e a força do braço. Os escores funcionais utilizados internacionalmente, como MEPS e QuickDASH, mostram resultados predominantemente excelentes após o procedimento.


Quando é possível voltar ao esporte?

O retorno às atividades físicas depende do tipo de esporte, da qualidade da reabilitação e das características de cada paciente. De forma geral, entre 84% e 95% dos pacientes conseguem retornar ao esporte, sendo que a maioria recupera seu nível de desempenho prévio. O tempo para esse retorno costuma variar entre 4 e 12 meses.


Esse bom desempenho torna a técnica especialmente interessante para atletas, trabalhadores braçais e militares, que exigem elevado desempenho do membro superior.


Conclusão

As evidências científicas atuais demonstram que o reparo da ruptura do tendão distal do bíceps com botão unicortical por via anterior única é uma técnica segura, reprodutível e com excelentes resultados funcionais. Além de proporcionar uma fixação biomecanicamente robusta, apresenta baixo índice de complicações e elevadas taxas de retorno às atividades esportivas e profissionais.


O diagnóstico precoce e a avaliação por um ortopedista especializado são fundamentais para definir o melhor momento da cirurgia e maximizar as chances de recuperação completa. Quanto mais cedo o tratamento é realizado, maiores são as possibilidades de restaurar plenamente a força, a função e a qualidade de vida do paciente.


Referência científica: Conteúdo elaborado com base na revisão sistemática de Gonçalves e Aragão (2025), publicada no International Journal of Advanced Multidisciplinary Research and Studies.

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