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26 de junho de 2026

MEO EM MOVIMENTO

Pesquisa da USP liderada pelo Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo demonstra recuperação neurológica com células-tronco em lesão medular

Dr. Thiego Araújo - Ortopedista especialista em coluna MEO Medicina

Por:

A lesão da medula espinhal continua sendo um dos maiores desafios da medicina moderna. Milhares de pessoas convivem com paraplegia, tetraplegia e limitações neurológicas decorrentes de traumas medulares, enquanto a busca por tratamentos capazes de restaurar a função nervosa permanece uma prioridade mundial.

A lesão da medula espinhal continua sendo um dos maiores desafios da medicina moderna. Milhares de pessoas convivem com paraplegia, tetraplegia e limitações neurológicas decorrentes de traumas medulares, enquanto a busca por tratamentos capazes de restaurar a função nervosa permanece uma prioridade mundial.


Nesse cenário, uma importante pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP), durante o doutorado do cirurgião de coluna Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo, trouxe resultados promissores sobre o uso de células-tronco derivadas do sangue do cordão umbilical e da placenta humana para o tratamento da lesão medular.


O trabalho, do qual o Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo é o primeiro autor, foi publicado na revista científica internacional Clinics e avaliou a capacidade dessas células em estimular a recuperação neurológica após lesão da medula espinhal. O estudo foi conduzido no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, um dos principais centros de pesquisa em coluna vertebral e trauma raquimedular da América Latina.


Como foi realizada a pesquisa?


Os pesquisadores criaram um modelo experimental de lesão medular em camundongos e acompanharam a recuperação dos animais ao longo de 12 semanas.

Parte dos animais recebeu uma aplicação de células-tronco provenientes do sangue do cordão umbilical e da placenta humana três semanas após a lesão. Outro grupo recebeu o tratamento seis semanas após o trauma. Os resultados foram comparados com grupos que receberam apenas soro fisiológico ou nenhum tratamento.


Quais foram os resultados?


Os animais tratados com células-tronco apresentaram:

  • Melhor recuperação dos movimentos;

  • Maior capacidade de locomoção;

  • Menor destruição do tecido nervoso;

  • Menor grau de necrose e degeneração da medula;

  • Maior formação de novas conexões nervosas;

  • Evidências de regeneração neurológica.

Os melhores resultados foram observados nos animais tratados mais precocemente, três semanas após a lesão, embora benefícios também tenham sido observados quando a terapia foi aplicada seis semanas após o trauma.


Esses achados sugerem que existe uma janela terapêutica importante durante a fase inicial da lesão medular crônica, período em que o sistema nervoso ainda mantém potencial para recuperação funcional.


Por que esse estudo é relevante?


A maior parte dos pacientes com lesão medular encontra-se fora da fase aguda do trauma. Por isso, compreender se terapias regenerativas podem funcionar semanas ou meses após a lesão é uma questão fundamental para a medicina.


A pesquisa liderada pelo Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo contribui para ampliar o conhecimento científico sobre a regeneração da medula espinhal e sobre o potencial das células-tronco como ferramenta terapêutica para pacientes com paraplegia e outras sequelas neurológicas.


Células-tronco representam uma esperança real?


As células-tronco são consideradas uma das áreas mais promissoras da medicina regenerativa. Estudos realizados em diversos países demonstram potencial para redução da inflamação, proteção dos neurônios remanescentes e estímulo à formação de novas conexões nervosas.


No entanto, é importante esclarecer que, apesar dos resultados encorajadores, o tratamento com fontes celulares contendo grandes quantidades de células-tronco ainda não está liberado no Brasil para uso clínico rotineiro em pacientes com lesão medular fora de protocolos de pesquisa aprovados pelos órgãos regulatórios e pelos comitês de ética.


Portanto, embora os avanços científicos sejam animadores, mais estudos clínicos em seres humanos ainda são necessários para confirmar a segurança, a eficácia e a melhor forma de aplicação dessas terapias.


Sobre o autor


O Dr. Thiego Pedro Freitas Araújo é médico ortopedista especializado em cirurgia da coluna vertebral. Sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) foi dedicada ao estudo da regeneração neurológica após lesão medular utilizando células-tronco derivadas do cordão umbilical e da placenta humana. Seu trabalho contribui para o avanço das pesquisas em terapias regenerativas para doenças e lesões da coluna vertebral.


Referência científica

Araújo TPF, Cristante AF, Marcon RM, Santos GB, Nicola MHA, Araújo AO, Sanchez FB, Barros Filho TEP. Improvement of motor function in mice after implantation of mononuclear stem cells from human umbilical cord and placenta blood after 3 and 6 weeks of experimental spinal cord injury. Clinics. 2024.

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